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Globo estuda fim da cadeira fixa no comando do Jornal Nacional

A Globo avalia uma mudança estrutural na forma como escala os apresentadores do "Jornal Nacional", o telejornal de maior audiência da televisão brasileira. Segundo o colunista Alessandro Lo-Bianco, a emissora discute internamente o fim da chamada "cadeira cativa", substituindo-a por um sistema de avaliação periódica dos âncoras, com revisões a cada cinco anos.

A informação chega em um momento particular: ao mesmo tempo em que reajusta os salários de seus principais nomes do telejornalismo, a Globo também estuda dar à sua cúpula editorial mais liberdade para promover trocas quando um apresentador "deixar de corresponder às exigências editoriais" do programa, nas palavras atribuídas ao colunista.

Um modelo flexível, não uma regra fixa

Pelo que vazou dos bastidores, a ideia não é instituir um rodízio automático e obrigatório na bancada do "JN". O conceito seria o de ciclos de cinco anos, ao final dos quais a direção da emissora faria um balanço do desempenho de cada apresentador. Esse balanço poderia resultar tanto na manutenção do nome na bancada quanto em uma substituição. Ou seja, a avaliação existiria, mas a permanência também continuaria sendo possível - o que muda é a lógica de que, uma vez indicado, o apresentador fica no posto por tempo indeterminado, como ocorreu historicamente com nomes que marcaram época no telejornal.

O Purepeople, publicação que revelou o assunto, procurou a assessoria da Globo para comentar o tema e aguardava retorno até o fechamento desta reportagem.

O caso Cesar Tralli e o pano de fundo eleitoral

O debate sobre avaliação dos âncoras ganhou força depois que Cesar Tralli foi criticado internamente por sua condução em entrevistas com presidenciáveis. O jornalista, marido de Ticiane Pinheiro, seria o mediador de um debate marcado para a última quinta-feira (1º), mas o encontro foi cancelado em cima da hora após uma sequência de decisões judiciais: o ministro Gilmar Mendes determinou a presença de Renan Santos, enquanto a ministra do TSE Estela Aranha vetou o uso do púlpito reservado a Lula, que optou por não comparecer - assim como Flávio Bolsonaro.

Apesar do episódio, Tralli seguiu em evidência na cobertura eleitoral e comandou, ao lado de Renata Lo Prete, o especial de apuração de votos no domingo (4). Lo Prete, por sua vez, é apontada como possível saída do "Jornal da Globo" e da emissora, com desligamento estimado para 2027 - outro indicativo de que a Globo já trabalha com um horizonte de renovação em seu time de jornalismo.

O que está em jogo para o telejornal mais assistido do país

O "Jornal Nacional" carrega um peso simbólico na grade da Globo: é a vitrine máxima do jornalismo da emissora e, historicamente, poucos nomes ocuparam a bancada principal ao longo de décadas. Mudar essa lógica - ainda que de forma gradual e não compulsória - representaria uma quebra de tradição significativa. Fica em aberto, por ora, qual seria o impacto imediato sobre apresentadores atuais, caso de Renata Vasconcellos, que soma mais de dez anos no comando do telejornal. Nenhuma decisão foi confirmada oficialmente, e a Globo ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto.